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Edmiel Leandro, 22 anos. Estudante de Design gráfico pelo IFPE. Atualmente coordena o departamento de produção visual do MIC ETEPAM. Viciado em livros e jogos.

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Por Edmiel Leandro

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O porquinho do fundo falso

01/03/2014

Nos anos 90, todas as crianças de minha geração tinham um porquinho. Não poque morávamos em uma fazenda, claro. Apresso-me em explicar que o porquinho em si era um cofrinho feito de barro com uma única abertura para a moeda, embora fosse válido por cédulas nos pequenos, mas na época quem juntava moedas nem sempre tinha uma nota no bolso. O principal objetivo era juntar trocados para uma ocasião especial, no meu caso eu juntava para gastar no meu aniversário. Me lembro que quando quebrei meu primeiro porquinho tinha incríveis R$23,70 de moedas e naquela época e com esse dinheiro eu fiz a festa.

É sobre exatamente este ponto que quero comentar. Passei por uma loja nesses dias e vi um porquinho que não era um porquinho, mas sim uma zebra e ainda mais sentada; Era de plástico, o que já me fez torcer o nariz. Porém o que mais me deixou incomodado foi o fato de ter uma abertura no fundo do pobre animal. Fiquei me perguntando qual o sentido de por uma abertura num porquinho (que não era porquinho) e ainda pensando eu tive a sensação que já sabia a resposta.

Talvez o porquinho seja um belo espelho de nossa sociedade de hoje. Talvez na minha geração, guardar um pouco a ansiedade de comprar algo ou apenas esperar que o cofrinho fique cheio represente o quanto as pessoas planejavam e lutavam por algo que queriam. Talvez essa geração de hoje não precise mais do porquinho no seu sentido primário, mas a figura dele tenha algum tipo de motivação, embora eu não veja muita diferença entre o porquinho zebra e uma carteira. Numa sociedade consumista como a nossa, talvez guardar moedas não faça tanto sentido como antigamente. Uma pena que as crianças de hoje provavelmente nunca vão conhecer aquela sensação que dava ao quebrar o pobre coitado do porquinho.

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