Santa Maria, Justiça e o Brasil

01/02/2013
Eu sou Edmiel Leandro e acho que coisas ruins acontecem às pessoas boas

O capítulo do livro Outra Espiritualidade do Pastor e Teólogo Ed René Kivitz retrata bem o meu sentimento por esta e não só esta, mas outras tragédias que ocorrem no Brasil e no mundo. Era madrugada de domingo, 27 de janeiro de 2013, quando o incêndio provocado por um sinalizador usado pela banda Gurizada Fandangueira durante o show na boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, iniciou uma das maiores tragédias da história do Brasil.

Um mundo onde podemos chorar uma dor que não é nossa, como se nossa fosse, é um mundo que tem sinal da graça de Deus.
Ed René Kivitz

Por mais que ninguém goste, há sempre momentos que nos deparamos com tragédias como a que nos ocorreu no último domingo, depois de passar o choque da notícia sempre vem a mente de todos um sentimento de justiça, essa que por sua vez busca uma forma de punir e quem sabe até suprimir um pouco da dor dos que hoje estão de luto. Mas será que temos um culpado? Será que podemos apontar a ou b por ter cometido tal ato. Será mesmo que o rapaz da banda tinha a intenção de crucificar seus espectadores ou até mesmo o dono da boate queria promover ali no seu estabelecimento um mini-holocausto? E Deus, onde está nessa história toda?

Minha resposta é simples: Coisas ruins acontecem às pessoas boas. Eu não conhecia as pessoas que estavam naquele lugar, não sabia de sua índole e muito menos das suas intenções, mas será que tantos tinham merecido o mesmo destino? Antes a muito tempo, eu acreditava que cada pessoa sofria neste mundo o que merecia, de acordo com seus atos praticados. Mas se pensar bem, a mais ou menos um ano atrás no Rio de Janeiro, um assassino entrava numa escola pública armado e matara cerca de 12 crianças. Então o que teriam feito de tão grave essas crianças para merecer isso?

A verdade, acredito eu, é que vivemos num mundo de contingência onde há sofrimentos onde não há explicações, nem propósitos, não são ocasionados por obras espirituais ou por culpa humana. Tentar entender ou explicar tais fatos é um ato insano que vai gerar mais e mais perguntas sem explicações, resta dizer que não vejo Deus como um agente do sofrimento, mas do amor e da compaixão. Em Realengo, não vejo Deus na mente insana do atirador, mas na ação dos educadores ao proteger seus alunos. Em Santa Maria não vejo Deus na fumaça e no fogo que arrematou aquele lugar, mas nos profissionais que resgataram os sobreviventes que ali estavam.

Depois da tragédia, uma série de fiscalizações intensas está ocorrendo em todo o país, aliás é sempre assim no Brasil. Mais de 50% das casas noturnas no estado de São Paulo estão com irregularidades e até a Presidente Dilma se envolveu na história. Aliás, se me lembro bem, no ano passado ouve um questionamento sobre a segurança das escolas públicas no Brasil e houve até fiscalizações e medidas foram tomadas, pelo menos por enquanto.. Aposto que hoje deve estar do mesmo jeito que antes, e também gasto minhas fichas que essa onda de fiscalização vai ser água no moinho, porque na verdade o Brasil é o país que sempre chega atrasado pra fazer sua lição e acaba saindo da escola sem aprender nada.